A Música e Eu: Um Romance Infinito

 

Embora eu cante mal pra caramba e nunca tenha conseguido aprender a tocar nenhum instrumento, tenho uma relação amorosa com a música desde a infância. Minha lembrança musical mais antiga é ouvindo Love Hurts, na sua versão mais famosa, gravada pela banda escocesa Nazareth. Eu tinha seis anos e me lembro quase perfeitamente do momento: minha irmã mais velha e eu em frente à uma escola, e alguém ouvia essa música num volume bem alto (minha memória não se decide se o som vinha de um carro, parado próximo de mim, ou da casa de algum vizinho da escola).

Na minha casa em Belo Horizonte, o rádio ficava quase o dia inteiro sintonizado nas antigas Tiradentes (hoje Rádio Globo) e Atalaia (atualmente com programação da Igreja Universal do Reino de Deus). Antes de completar sete anos, eu já sabia o nome de quase todas as músicas e intérpretes que eram tocados nessas duas emissoras e nos programas televisivos como “Globo de Ouro” e “Fantástico”.

No banheiro, minha imaginação transformava meus poucos minutos no banho em um espetáculo, no qual eu apresentava para um enorme público, sucessos de diferentes cantores e bandas. Naquele tempo, para mim não existia jazz, blues, rock, brega, samba... O que importava para aquele menino é que tudo aquilo era música, e era a música que o deixava feliz ou amenizava suas tristezas.

Aos 13 anos, vi na televisão uma propaganda que anunciava a vinda do Kiss em Belo Horizonte. Eu, que até então nunca havia ouvido falar ou visto algo sobre a banda, fiquei admirado com o visual e o som daqueles quatro mascarados (era I Love It Loud que tocava no comercial). Para mim, que acabara de se  tornar adolescente, que era fã de filmes de terror e queria ser diferente de meus vizinhos e, principalmente, de meus familiares, eram músicas de bandas como aquela que eu precisava ouvir. Eu não queria mais saber das músicas das rádios Atalaia e Tiradentes; os cantores do Globo de Ouro já não me interessavam mais. Eu queria músicas com peso, revolta, gritos e solos de guitarra.

Minha mãe havia acabado de ganhar um rádio relógio que tinha duas ondas de radiofrequência: AM e FM. Passei a procurar alguma estação que tocasse Kiss ou algo semelhante. Não achei nenhuma rádio especializada em rock ( isso só ocorreria no ano seguinte, quando entraria no ar a Rádio Terra), mas conheci outras bandas de Hard rock e Heavy Metal como AC/DC, Whitesnake, Def Leppard, Deep Purple, Iron Maiden, Black Sabbath e Led Zeppelin. 

Embora o Hard Rock e o Heavy Metal fossem meu estilo favorito na adolescência e juventude, eu nunca deixei de escutar outros subgêneros do rock como a New Wave, Synth Pop, Gótico, Progressivo, Rock Nacional, o Pop Rock e muitos outros.

A partir dos 22 anos, comecei a me interessar por outros gêneros musicais além do rock; passei a ouvir Bossa Nova, música erudita, música folk de vários países e culturas diferentes e a, erroneamente, chamada MPB. Nas minhas fitas cassetes, com músicas gravadas em rádio ou discos meus e emprestados, não era difícil encontrar compilações bizarramente maravilhosas. Lembro-me de uma que fiz para ouvir no walkman. Nela tinha músicas de Caetano Veloso, Led Zeppelin, Gilberto Gil, Metallica, Gal Costa, Pink Floyd, Walter Franco, Paganini, Zé Geraldo, Secos e Molhados,Mozart, Engenheiros do Hawaii, A-Ha, Venom,  Elis Regina, Celtic Frost, Marisa Monte, Sérgio Sampaio e muitos outros de vários estilos.

Ainda sou assim; tenho preferência pelo rock, mas gosto de qualquer música que me desperta alguma emoção, que me diz algo e que me faz dizer cantado o que não consigo dizer falado. Infelizmente, como eu disse no início deste artigo, não aprendi a cantar bem nem a tocar algum instrumento, mas é a música que me move. É ela que me fez interessar por filosofia e por outras áreas do conhecimento. É ela que me inspira a escrever e me transformou em escritor. É ela quem está sempre comigo e , por isso,  não há um dia sequer que não ouço no ar a voz de Jim Morisson me dizendo: Marcelo, music is your only friend. E eu respondo: Yes, Jim, you’re right.

Abraços...

...e música para todos!

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