Existiu Rock Nacional Na Década De 1970?
Se eu disser rock nacional ou
rock Brasil, o que lhe vem à cabeça? Se
você faz parte de uma maioria, provavelmente pensou em Legião Urbana, Paralamas
do Sucesso, Kid Abelha, Lobão e outras bandas e cantores da década de 1980.
Talvez, você faça parte de um outro grupo (não tão menos numeroso que o
anterior) e pensará em Raimundos, Charlie Brown Jr., Mamonas Assassinas, Pitty,
CPM e outros astros do rock tupiniquim da década de 1990 e início do sec. XXI. Alguns mais velhos se lembrarão do rock
produzido em nosso país na década de 1960 e que ficou conhecido como Jovem
Guarda, graças ao programa de televisão que tinha esse nome e apresentava em
sua programação artistas do gênero que ainda se engatinhava no nosso país.
No entanto, o rock brasileiro dos anos 1970 é
quase totalmente desconhecido até mesmo por pessoas que viveram naquela década.
Duvida? Então faça o seguinte teste: pergunte a algumas pessoas com mais de 50
anos o que elas ouviam de música brasileira entre 1970 e 1979. Certamente, a
maioria dirá Roberto Carlos, Martinho da Vila, Alcione, Sidney Magal, Amado
Batista, Odair José, Clara Nunes, Djavan, Caetano e outros nomes da música
brasileira. Alguns dos seus “entrevistados” talvez inclua na lista uma ou outra
música de Raul Seixas, Rita Lee, Secos e Molhados e Novos Baianos, os únicos
artistas do rock nacional dos anos 70 conhecidos pelo grande público, mas que
muitas vezes são confundidas imbecilmente com o que a mídia burramente classifica
como MPB.
Se você tiver um pouco de sorte,
talvez encontre entre seus “entrevistados”, uma, duas, ou até três abençoados
que têm o prazer e a glória de conhecer e ouvir bandas como Vímana, O Som Nosso
de Cada Dia, Made in Brazil, Casa das Máquinas, Moto Perpétuo, O Terço e outras
entre as várias bandas e artistas de rock dos anos 70.
A que se deve esse desconhecimento
e/ou desprezo pelo rock nacional setentista? Será que o roqueiro brasileiro naquela década
realmente tinha cara de bandido, como disse Rita Lee na letra de “Orra Meu”
(1980), e por isso não apareciam na mídia? Sim, Rita Lee estava certa. O
roqueiro brasileiro da década de 1970 tinha cara de bandido, principalmente
para o regime político que governava o país naquela década.
Tirando alguns idiotas, todos
sabemos que do final da década de 1960 até meados da década seguinte, o Brasil vivia
os anos de chumbo da ditadura militar, implantada no Brasil através de um golpe
em 1964. Cassações, perseguições, torturas e mortes de opositores (confirmados
ou suspeitos) ao regime era algo comum e infelizmente apoiado por boa parte da
população que vivia oprimida e miserável, mas acreditava estar sendo protegida
dos “malvados e satânicos comunistas”.
Era uma época difícil para todos,
inclusive para os artistas que tinham que escolher entre ser a favor ou contra
o regime (não havia meio termo). E ser contra
implicava em censura, restrições e até mesmo exílio, tortura e morte.
Os roqueiros brasileiros
setentistas não protestavam explicitamente como outros nomes da música
brasileira como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, no entanto em
suas atitudes, visual e letras que falavam de liberdade, eles também
representavam um perigo para o regime.
Já para os esquerdistas e
revolucionários contra o regime, os roqueiros eram considerados alienados e/ou
imperialistas, já que o estilo musical que haviam escolhido nascera no país que
apoiava as ditaduras de direita na América Latina.
Sendo desprezado e perseguido
tanto pela direita quanto pela esquerda, é claro que o rock nacional setentista
não era interessante para a mídia (tanto a apoiadora quanto à contrária ao regime).
Isso explica o motivo de não ser tão conhecido e divulgado, ficando restrito a
um pequeno grupo de curiosos e apaixonados pela música tanto na sua década de
origem quanto nas décadas seguintes.
Eu mesmo só fui saber da
existência de muitas bandas de rock dos anos setenta em 1992. Até então só
conhecia as músicas de sucesso do Raul Seixas, Rita Lee (na fase pop), umas
quatro músicas de Secos e Molhados e uma de Os Novos Baianos, sendo que essas
duas últimas eu também chamava burramente de bandas de MPB.
Na próxima postagem, vou falar
como era o rock nacional setentista e citar algumas bandas daquela década.
Abraços...
...e música para todos.
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